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Medicina pet: aprenda sobre a transfusão de sangue

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23 out Medicina pet: aprenda sobre a transfusão de sangue

A transfusão de sangue é um dos procedimentos delicados e salvadores de vida na medicina e, felizmente, ela também é aplicada aos bichinhos e práticas veterinárias. Apesar dos fundamentos serem os mesmos da transfusão entre humanos, existem algumas peculiaridades em se tratando da doação e recebimento de sangue no mundo dos cães.

“A transfusão se faz necessária em animais anêmicos em que o índice da anemia (hematócrito) está muito baixo, comprometendo sua sobrevida. Um dos principais motivos da transfusão é a falta de hemácias, que transportam oxigênio pelos vasos até os tecidos, principalmente o tecido cerebral”, explica Dr. Régis Patitucci, médico veterinário da clínica Stetic Dogs, de São Paulo.

Além da anemia, a terapia transfusional também pode ser aplicada no caso de hemorragias, coagulopatia e hipoproteinemia (queda do nível de proteína no sangue). Além disso, o sangue pode ser totalmente transfundido e também é possível fracioná-lo em hemocomponentes, dependendo da necessidade do cão que irá receber a transfusão.

Compatibilidade e tipos sanguíneos

A partir do momento em que é identificada a necessidade da transfusão, o primeiro passo é analisar a compatibilidade entre os cães. “Os animais têm vários tipos sanguíneos e, para realizar uma transfusão, é necessário antes fazer um teste de compatibilidade com o sangue do doador – mesmo assim é um procedimento de risco”, ressalta Dr. Régis.

Só para você ter uma ideia, cerca de vinte tipos sanguíneos caninos já chegaram a ser catalogados na medicina veterinária. No entanto, oficialmente estudados e reconhecidos, existem cinco sistemas de grupos sanguíneos compostos por sete determinantes antigênicos – designados pela sigla DEA (Dog Erythrocyte Antigen –Antígeno Eritrocitário Canino). Ou seja, temos os DEAs 1 (subgrupos 1.1, 1.2 e 1.3), 3, 4, 5 e 7.

O doador

De acordo com Dr. Régis, “quanto mais mestiço for o doador, menor a chance de reações anafiláticas. Ele não pode ser portador de doenças transmissíveis pelo sangue e deve ter um peso mínimo compatível com a quantidade de sangue a ser retirada – aconselhamos que um doador tenha um peso acima de 30 kg”, descreve.

Para realizar a coleta, é recomendado que o animal esteja em jejum de 12 horas e o procedimento deve ser feito sem sedação – sedativos podem interferir na formação plaquetária do sangue. Após a coleta, o cãozinho doador deve permanecer em observação e, durante alguns dias, não é recomendado que ele se aventure em atividades físicas intensas.

O receptor

Inúmeros testes e análises dos parâmetros do sangue são feitos antes da realização da transfusão e, ainda assim, pode ser que o receptor apresente algumas manifestações clínicas.

As reações transfusionais podem ser imunológicas ou não imunológicas, agudas (quando ocorre imediatamente após a transfusão) ou tardias (que se manifestam em até 48 horas após a realização do procedimento). Após a transfusão – ou mesmo durante o processo – o animal pode apresentar taquicardia, salivação, pirexia (estado febril), hipotensão, dispneia (falta de ar e desconforto para respirar) e até convulsões.

Bancos de sangue

Assim como na medicina humana, os cães também contam com banco de sangue. “Porém, eles existem em menor quantidade, pois é muito difícil conseguir doadores e as bolsas têm validade, o que dificulta ainda mais o processo”, relata Dr. Régis.

Contudo, se você quiser voluntariar seu cão para ser um doador, existem universidades e hospitais veterinários (como o hemocentro do HOVET da USP, em São Paulo) que fazem a coleta e armazenam o sangue do seu cãozinho em seus bancos.

Afinal, doar sangue é dar o direito à vida para outro ser. Além do seu cão, seja você também um doador.

 

 

Por: Paula Soncela
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