Saiba mais sobre a posse responsável de cães

Extremamente fofos, cachorros estão ganhando cada vez mais espaços entre os humanos. Eles são companheiros e rendem muitos momentos prazerosos. No entanto, são seres vivos, têm necessidades de acordo com cada espécie e possuem vontades próprias. Por muitas vezes, tutores não entendem os seus comportamentos e não se dão conta de que, por algum motivo, aquele não é o melhor momento de criar um cachorrinho.

Adotar ou comprar um cachorro não deve ser uma decisão simples de ser tomada, explica Amanda Senna, proprietária do Pet Shop e ponto fixo de adoção Vito e Carmela, que funciona em São Paulo. “Nós recebemos muitos pets para adoção, e muita gente vem interessada em pegar. Nossa tarefa é cuidar deles e entregar da melhor maneira possível para o tutor. Infelizmente, temos alguns casos de devolução, que chega a 3% no nosso ponto de adoção”, explica.

Os motivos de devolução são os mais variados: o cachorro late muito, come os móveis, não deixa ninguém dormir ou não faz as necessidades no local certo. “A maioria das pessoas devolve com o argumento de que o pet não se adaptou. Às vezes devolvem depois de um dia, o que revela que o motivo é a falta de preparo e paciência no período de adaptação”.

No ponto de adoção Vito e Carmela, há um preparo da equipe para orientar o adotante. A adoção deve ser feita presencialmente, para que toda a equipe consiga conversar com o possível tutor. “Fazemos uma espécie de entrevista, em que investigamos se o adotante tem condições para receber o bichinho. Depois de aprovado, fazemos um contrato de adoção e aí vem um processo de pós-adoção, em que as protetoras acompanham, orientam e monitoram a adaptação na casa do tutor”, explica.

A equipe do ponto de adoção Vito e Carmela apontou algumas dicas de como saber se o tutor está preparado:

1 – Espaço: é um importante indicador para saber o porte do cachorro, mas isso não é determinante. “Temos casos de pessoas que convivem bem com animais de grande porte em espaços pequenos. O ideal é ter disponibilidade para passeios e gastar a energia dele”, explica Senna. É importante também verificar se na casa ou apartamento não há nenhum risco de acidente, como sacadas, escadas e buracos em que o cachorro pode ir e se machucar.

2 – Disponibilidade de tempo: cães precisam de interação, seja com os humanos com brincadeiras ou com outros cachorros. Verifique se na sua rotina há como dar a atenção necessária para que o cachorro tenha uma vida social ativa.

3 – Dinheiro: eles precisam comer rações de acordo com seu tamanho e idade, de consultas médicas, vacinação, remédios e acessórios. Não entre em uma dessas sem saber que ter um novo membro em casa é gasto. Tenha certeza que terá condições financeiras de prover tudo que o cachorro precisa. “Nós cobramos uma taxa de adoção, e muitas pessoas se recusam a pagar. Diante disso, não seguimos com a adoção, pois percebemos que não há comprometimento financeiro do adotante”, aponta.

4 – Preparo psicológico: é muito importante ter a consciência de que eles são seres vivos, com vontade própria e que respeitam seus instintos. É preciso estar preparado para perder aquele chinelo, para limpar um xixi no meio da sala ou ver que o sofá não será o mesmo.

5 – Período de adaptação: cachorros podem precisar de um ano para se adaptarem ao novo lar. Ao decidir criar um, é preciso ter em mente que é com muito amor e paciência que ele estará adaptado.

Com todos esses itens muito bem resolvidos, de resto é só dar muito amor e atenção ao seu melhor amigo. Se qualquer pessoa não cumpra com qualquer um desse itens é melhor repensar se é o momento de ter um cachorro. “É melhor não levar para casa em um momento em que não há preparo. É cruel tirá-lo de um abrigo ou outro lar e depois devolver. Não ter posse de um animal também é um ato de amor”, conclui.

 

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