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O Sapo-de-barriga-de-fogo pode ser criado em cativeiro

bombina

22 ago O Sapo-de-barriga-de-fogo pode ser criado em cativeiro

O Bombina tem uma aparência chamativa ao manuseá-lo pode deixar em suas mãos uma substância levemente tóxica, que causa irritação na pele – ou arrependimento nas papilas gustativas.

Conhecido também como Sapo-de-barriga-de-fogo e dotado de cores vivas no abdômen, que vão do vermelho alaranjado até o verde brilhante, o animal que recebe essa denominação se divide em diversas ramificações, como o Bombina orientalis, encontrado na China, Coreias e Rússia, os europeus Bombina bombina e o Bombina variegata (com pupilas em formato de coração ou diamante) e sua versão gigante, o Bombina maxima, encontrado na China. Não são sapos de grandes dimensões, crescendo até uma média de 4,5 cm de comprimento, sendo que esta última variedade chega, em média, a 7,5 cm.

Um dos registros mais interessantes que podem ser encontrados sobre este sapo vem do pesquisador alemão Otto Kinne, no artigo Breeding, rearing and raising the red-bellied toad Bombina bombina in the laboratory (2004). No texto, o pesquisador conta que: “meu primeiro encontro com o sapo-de-barriga-de-fogo foi em 1949. Estudando na Universidade de Kiel, na Alemanha, participei de uma excursão zoológica liderada pelo professor Adolf Remane, reconhecido internacionalmente nos campos da ecologia, taxonomia, filogenia e morfologia (…). Após demonstrar para nós, estudantes, uma variedade de diferentes formas de vida em seu habitat natural, Remane parou subitamente, colocou o dedo sobre os lábios e sussurrou ‘agora vou mostrar a vocês algo muito bonito. Por favor, façam o mínimo de barulho e observem comigo esta rara e ameaçada espécie de sapo, que não poderão mais ver quando tiverem a minha idade’. Ele se dirigiu a uma lagoa e não vimos sapo nenhum. Após alguns minutos, cerca de 25 desses animais surgiram na superfície, um após o outro. Depois de outros cinco minutos, os machos iniciaram um melódico concerto em forma de up-up-ups. Escutamos maravilhados”.

Hábitos e características

Felizmente hoje, diversas variedades do Bombina não sofrem risco de extinção, mas grande parte do seu habitat, efetivamente, sofre com a devastação e eliminação de áreas alagadas onde preferem viver. No seu habitat natural, este tipo de sapo tem uma dieta composta por minhocas, lesmas, besouros, formigas e outros tipos de insetos. Girinos comem plantas, fungos e pequenos invertebrados, mas, para quem mantém um desses em casa, é importante alimentar o pet somente com insetos vivos e livres de agrotóxicos. A cor brilhante na parte da barriga do animal pode ser mantida ou recuperada ao alimentá-lo, mas para isso, é necessário fornecer cenoura ou qualquer alimento com alta concentração de betacaroteno à ração viva (geralmente grilos). O sapo absorve da presa a coloração. A espécie também pode possuir tons de verde brilhante, marrom e verde mais escuro.

Os machos apresentam a região dorsal mais áspera do que as fêmeas, com pernas dianteiras mais grossas. São animais que, quando se sentem ameaçados, curvam suas costas para cima e levantam as pernas, para mostrar suas cores vibrantes, tentando assustar o predador. Curiosamente, existe uma palavra em alemão para esta exata ação do animal: unkenreflex, ou seja, reflexo de sapo.

Ele sente-se confortável em uma temperatura ambiente entre 18º e 24º, e é considerado um anfíbio semiaquático. Criadores podem utilizar uma fonte de luz ultravioleta B para proporcionar melhor utilização do cálcio no organismo dos animais, mas é importante que o aquário ou terrário possua uma tela superior para evitar possíveis fugas. É um animal resistente que pode viver, se bem cuidado, de 20 a 30 anos.

Se no caso do pesquisador alemão Otto Kinne, os sapos Bombina que ele conheceu não correm mais perigo, algumas variedades do animal encontram-se ameaçadas no habitat selvagem, já que grande parte deste ainda é destruído em prol de ocupações humanas, como o Bombina fortinuptialis, Bombina máxima, Bombina microdeladigitoria e o Bombina lichuanensis, todos naturais de regiões da China e sul asiático. Na Itália, o Bombina pachypus também é considerado ameaçado, de acordo com índices da Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN).

 

Referências

Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais,

http://www.iucnredlist.org.

Breeding, rearing and raising the red-bellied toad Bombina bombina in the laboratory, Otto Kinne, Jens Kunert, Waldemar Zimmermann.

 Bombina Frogs: Characteristics, Husbandry, and Reproduction of Fire-bellied Toads,

Kenneth A. Harkewicz.

 

Por André Spera

 

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